Nem a cirurgia, nem a quimioterapia, ou a amputação. O mais difícil mesmo foi dar a notícia para as pessoas que amo. Primeiro meu marido na noite que encontrei o nódulo. Depois à minha irmã que eu quase vomitei a notícia na cara dela, aos prantos, sem controle nenhum. E ainda aos meus enteados.
Aí tomei a decisão mais difícil da minha vida que foi a de não contar nada para meus pais e meu irmão. Em consequência para minha tia Carol. minha prima Eliene, e “minhas meninas” Mariana, Ana Carolina e Júlia. Eu não ía contar nada até passar a operação e ter o relatório da biópsia cirúrgica.
Minha tia tinha sido diagnosticada com câncer um mês antes de mim! Minha mãe estava se preparando para ir ficar com ela em Belém. Meu pai tinha acabado de passar por problemas de saúde e finalmente voltava a ser feliz. Meu irmão estava reorganizando sua vida, começando uma vida nova, depois de ter segurado uma barra grande.
Como que eu ía ligar desde aqui para dar uma notícia dessas? E por telefone? Como eu podia magoá-los tanto? Eu sempre quis proteger as pessoas que amo, não machucá-las!
E eles estavam tão longe, eu estava bem amparada… O que os olhos não vêm, o coração não sente, né?!
Fui muito valente para todo esse processo do câncer, para as cirurgias, quimio, tratamentos, mas eu fui o ser mais covarde do universo em relação a dar a notícia principalmente a meus pais e meu irmão.
No final quem contou para o meu irmão foi nossa amiga, quase irmã, que teve câncer de seio há poucos anos e estava indo ao Brasil (ela mora na França) de férias com visita já planejada aos meus pais. Foi uma oportunidade única! Ela foi a coragem que me faltou! Nunca vou saber como ser grata por tanto!
Eu não sabia de nada disso. Minha irmã tinha falado com a ela, meu marido também sabia, mas eles sabiam que eu ficaria muito preocupada com meus pais e tinha que concentrar minhas energias na minha cirurgia. Então eu era a que não sabia que eles já sabiam!
Quando acordei no quarto, meu marido me passou o telefone e pude falar com meu irmão, meu pai e minha mãe… Eu jamais vou esquecer esse telefonema. Eu ainda estava tonta da anestesia e feliz de ter visto o rosto do meu marido, aí escuto a voz do meu irmão, depois minha mãe e meu pai. Foi tão bom!
No dia primeiro de dezembro meus pais chegaram aqui e ficaram 3 mêses me mimando, cuidando, carinhando…
No final, nos divertimos muito, rimos muito, nos amamos muito! Eles são tão alto astral que fizeram com que tudo fosse muito mais fácil, não só para mim, mas para meu marido e minha irmã.

